Terça-feira, Dezembro 25, 2007

O Inferno de Clarice Lispector

Uma vez, perguntaram à Clarice Lispector por que ela escrevia. Muito sabichona, a ucraniana resolveu responder por meio de perguntas retóricas:

- Ora... Por que você respira? Por que você come?

Infelizmente, para Clarice Lispector, sua interlocutora não havia se apercebido do valor literário-poético da afirmação da modernista. Então, respondeu:

- Oras, para sobreviver.

Eis o Inferno de Clarice Lispector. Antes, sua resposta era profunda e misteriosa. Para que escrever? Ora, as águas do oceano se movimentam incessantemente e o vento sopra sem que seus motivos sejam questionados. Isto é literatura. Entretanto, Clarice escreve como quem peida, como quem vomita, como quem arrota e como quem defeca. E, assim, sua tirada fracassou. Ela poderia responder, como aliás respondeu, “Isso, para sobreviver. Eu escrevo para sobreviver.”. Perdeu, enfim, a sutileza pela qual prezava desde o princípio.

Assim como nesta entrevista, a literatura de Clarice Lispector depende em grande parte da boa vontade do leitor. Ele tem que amar a escritora previamente para que seja encaminhado pela boa via de suas palavras.
Felizmente, Clarice Lispector é uma artista de renome que todos adoram adorar. Graças às aulas de Literatura, aos pseudo-intelectuais e às lésbicas do mundo, esse grande astro da composição textual brasileira pode ser apreciado e amado até hoje. The end.
Por MYXOMATOSIS 1:57 AM |


Quinta-feira, Outubro 25, 2007

"Pelo amor de Deus, me leva pra casa."

Estar bêbado e chegar em casa sob dois palmos de chuva é uma experiência educativa. Como conversar com taxistas, como falar com ambulantes, como conhecer países novos.
Existem duas maneiras de se experienciar outras vivências, essa vitalidade universal, que não te pertence: conversando com pessoas diferentes de você ou sendo você mesmo diferente por um dia. Eu não sei quem estava bêbado, correndo na chuva... Mas não era eu. Eu sei que não era eu porque eu não me sentia ali - e penso que seja comum que sintamo-nos nós mesmos durante a maior parte do tempo. Por conseguinte, podia ser qualquer um, menos este que vos fala. E viver na pele daquele sujeito foi, no mínimo, estranho.

Até porque esse indivíduo saiu pelo shopping implorando aos seus conhecidos que o levassem para casa. Assim, sem motivo. Digo... Claro que havia motivos. Estava chovendo, estava frio, e a efetuação de reconhecimentos visuais e auditivos básicos estava difícil de ser processada. Mas havia algo mais ali. Não era solidão. Não era carência...
Era uma nostalgia imensa. Entendem?

Na verdade, penso que ele queria que seu pai o levasse pra casa...
Por MYXOMATOSIS 10:46 PM |


Quinta-feira, Outubro 18, 2007

Por que é tão perigoso ver o outro lado?

Num tempo em que todos tinham muita precaução, conheci os primeiros anti-sionistas da minha vida. Era refrescante! Todos eram tão a favor de Israel, tão maniqueístas... O anti-sionismo era um ponto de vista pouco aproveitado, pelo menos no meu círculo social, e instigante. Hoje, os poucos anti-sionistas que conheci se converteram ao anti-semitismo total...
O mesmo com a homofobia, o mesmo com o fascismo. Aqueles que ousavam dizer que bichas, mas só as escandalosas e afobadas, eram um troço chato demais... Todos são agora machistas, homofóbicos inveterados, cheirando a polenta frita. Meus colegas que atacavam o discurso utópico esquerdista e eram agressivos à passividade dos direitos humanos lentamente se transmutaram em cópias extremadas da personagem de Wagner Moura.

Por que é tão perigoso ver o outro lado? Sempre que alguém tenta adotar um ponto de vista original, polêmico, mas não generalista... Não dou nem três anos para que vire racista, direitista, segregacionista ou PSDBista inveterado.

Culpo tudo à síndrome de Cuba. Desenvolvo: assim como Fidel, que fez uma revolução nacionalista, mas que se enamorou com o socialismo soviético justamente por pressões comunistofóbicas dos Estados Unidos; é tristemente comum que alguém que anda na linha seja empurrado para o “lado de lá” por forças antagônicas.
Quando o homem que vê a esquerda com ceticismo é atacado, por todos os lados, por esquerdistas, ele acaba se refugiando em uma corrente que lhe dê apoio, conforto. Vira udenista. Por isso, às vezes até parece que as catacumbas da UDN tiveram suas águas perturbadas, trazendo todo o lixo para a superfície. Ninguém quer ficar sozinho – e a verdade é que o alto do muro, embora geralmente mais coerente, é muito mais instável e solitário...

E o que temos é essa merda que pode ser vista, hoje, no Rio de Janeiro: esquerdistas da PUC e fascistas dos mais remotos bairros cariocas enfrentam-se na rua, nos bares, no Orkut, revivendo as históricas batalhas AIB versus ANL. Porra ridícula; dezesseis anos após o fim da União Soviética!...

Quando li o manifesto ZAM, piscou-me aos olhos algo como: os artistas associados ao Zero Artistic Movement crêem que só o niilismo e a anarquia podem nos salvar do comodismo. E eu compreendo da minha maneira. Comodismo é ser socialista; e só. Comodismo é ser fascista, é ter crenças imutáveis. E anarquia não é só mais um braço político-social de esquerda: é conseguir andar em cima do muro, ziguezagueando a vida inteira – e nem ao ziguezague ser fiel!

Mas é tão difícil...
Por MYXOMATOSIS 2:21 PM |


Segunda-feira, Outubro 15, 2007

Estava estudando Química hoje e me deparei com esta grande verdade sobre Humanas x Exatas:

Em "exatas", como Física e Química, estudamos os grandes sucessos da humanidade. Aprendemos a genialidade de Haber e de Newton, as sacadas de Torricelli, de Tales de Mileto e de Pitágoras.
Em "humanas", mesmo os golpes de mestre acabam dando merda. Se aparece Napoleão, que é um crânio da estratégia militar, sua estupidez logo começa a transparecer nos pequenos detalhes. Bismarck é posto de lado por um Guilherme II, que é perigosamente burro. Estudamos aquilo que deu errado no mundo. A concentração fundiária e a espera pela morte...

Por isso é tão fácil se identificar com História, e com Geografia. É a passagem de nossas vidas. Nossos fracassos são grandes Waterloos, grandes macrocefalias urbanas e humanas. Cadê a catarse em Einstein e em Kepler? Bom é morrer como Ceaseuscu, com a Internacional nos lábios e os fuzis todos apontados contra nosso rosto.

Porque é isso. Não nos interessamos pela fissão nuclear. Queremos o drama das mães de Hiroshima...
Por MYXOMATOSIS 12:26 PM |


Sábado, Outubro 13, 2007

Discutindo que nem macho, porra.

Todos os membros dos píncaros intelectuais cariocas que afirmam ter visto "Tropa de Elite" e não o consideram fascista ressaltam dois pontos:

1. Que não se deve pensar que a personagem de Wagner Moura deva servir como bom exemplo, ainda que colocada como protagonista principal da história.
2. Que o filme traz importantes discussões à pauta semanal da sociedade.

Entretanto, quero ver o macho que vai levar a sério seus próprios comentários e aplicar a segunda à primeira. Explico: se "Tropa de Elite" é tão bom assim para que discutamos, por que não ousamos discutir se as atitudes do Capitão Nascimento eram justificadas ou não? Por que ninguém ousou sequer admitir a possibilidade de os direitos humanos, do modo como estão hoje, nesta cidade carioquicida em que vivemos, estarem ultrapassados?

Ouso dizer que o Sr. Artur Xexéo e o Sr. Arnaldo Bloch têm cara de pau, mas não têm bolas, para levarem a democracia e o diálogo às últimas conseqüências. Penso que é sempre muito conveniente quando se trava uma discussão em que fascistas e extremistas em geral não são convidados a opinar. É como dar uma festa onde inexiste a presença inoportuna dos "joselitos". Pode ser justo, pode ser até mesmo correto; não é democracia.

Capitão Nascimento
Capitão Nascimento é filho do medo da noite.

Confesso: não gosto de fascista, não gosto de assassino e nem gosto muito de puliça. Mas se tem uma coisa digna de desprezo é formador de opinião hipócrita.
Não que exista algum (alguém?) que não o seja.
Por MYXOMATOSIS 8:15 PM |


Quinta-feira, Outubro 11, 2007

Hoje, fazendo hora antes do encontro, sentei-me no barzinho para desenhar um pouco. Pedi um copo d'água. No DVD, rodava o "Greatest Hits" do The Cure. Antes, uns trinta minutos mais cedo, tocava a compilação de clipes do The Smiths - mas não se pode estar sempre no lugar certo na hora certa.
Não que eu não goste de The Cure. De fato, sou possuidor do mesmo disquinho que estava sendo exibido... E, portanto, sabia a ordem dos clipes. Sabia que depois de "Lovesong" vinha "Never Enough", que depois de "Wrong Number" vinha "Cut Here".
Sabia que, depois de "Just Say Yes", era a escuridão.
Fiquei triste, porque eu não queria que o DVD acabasse. Eu não sabia o que viria depois. Angustiei-me, e lembrei-me de quando eu era uma criança... Ah!

Um dia, com uns cinco, seis anos, eu estava assistindo a "Rodolfo, a Rena do Nariz Vermelho" em VHS. Amava aquele filme. Já o havia visto várias vezes, e sabia precisar quando terminaria: à reprodução de uma canção bem bonita, todos ficariam felizes e a tela se fecharia lentamente sobre Rodolfo.
Quando a tal música começou a tocar, chorei. Chorei muito, e chorei muito alto.
Não queria que o filme terminasse, porque eu gostava dele. Depois eu teria que dormir, fazer alguma coisa ruim, sei lá - nunca seria tão bom quanto assistir às aventuras da pequena rena de Papai Noel.
Eventualmente, papai entrou no quarto pra ver o que estava acontecendo e me abraçou depois que lhe contei que chorava porque "Rodolfo, a Rena do Nariz Vermelho" estava terminando. Mais tarde, ele me diria que eu praticara uma cena surreal à audição: a música tocando e meu choro ecoando pela casa...

Bem, eu ainda choro quando as coisas que são boas, seguras e bonitas terminam. Mas tenho 17 anos e papai já não me abraça mais por conta dessas desfeitas... A vida é isso, é de endurecer. Endurecer ou morrer.
E acho que é isso aí, não? Há de se terminar o que escrevi, mas não existe muito o que eu possa fazer. Poderia pensar numa conclusão poética, retomando o evento do início do texto, mas fico tão perplexo quanto você, leitor (?). Não estou certo e nem seguro. Não sou administrador das tormentas para, hipocritamente, encerrá-las neste post. Para mim, não há um desfecho para a linha de raciocínio que desenvolvi. Como poderia haver? Eu não estou satisfeito. Muito pelo contrário.
Eu estou tão desolado quanto você, meu querido leitor...
Por MYXOMATOSIS 10:37 PM |


Terça-feira, Outubro 09, 2007

De umas semanas pra cá, a aventura de acordar toda manhã tornou-se sintetizável por uma única pergunta: Por quem eu serei agredido hoje?
Por MYXOMATOSIS 11:03 PM |


Segunda-feira, Outubro 08, 2007

A revolução da fila.

Eu não sou um estudioso de História. De fato, sou mais como um freelancer ao contrário: não pego um livro ou apostila para estudar há quase um ano, mas absorvo as informações por osmose quando me caem sobre o colo. Descobri o que foi a batalha de Peloponeso lendo um livro do ano passado, no banheiro, e ainda guardo na memória informações sobre a dita. Pois bem.
Gostaria de saber, como humilde entusiasta da historiografia, se alguma revolução sangrenta ou rebelião destrutiva já começou devido a... Excesso de burocracia. Penso na Rússia czarista de 1900, 1910: enormes filas pro pão, filas pra sopa, filas pra comprar um boquetinho no puteiro; e isso se repetiu ao final do governo Gorbachev. Não é de se admirar que a Rússia do século XX foi palco de, no mínimo, duas revoluções notáveis.
Hoje fui dar entrada no meu passaporte. Recebi uma senha e esperei, esperei muito. Os números que recebíamos, embora em ordem crescente, não apresentavam aparente relação – o funcionário público simplesmente perguntava quem possuía a senha mais baixa, e uma pequena discussão era desdobrada até que o “vencedor” fosse proclamado.
Não havia painel eletrônico.
O escritório governamental estava, então, atrasado em no mínimo quatro aspectos em relação ao Giraffas: era menor do que a lanchonete, não possuía um painel onde os números pudessem ser apresentados, continha menos funcionários e não havia descoberto ainda a tecnologia dos números consecutivos.
Repito: o estabelecimento governamental tinha menos infra-estrutura do que o Giraffas. Nem ouso compará-lo ao Mister Pizza ou ao – nocaute! – McDonald’s.
O ambiente era propício, pois, a uma revolução: acalentava o ódio, acalentava a indignação. Duvido que Renan Calheiros fosse esperar naquela salinha apertada para pegar seu passaporte. Aposto, inclusive, que o dinheiro destinado àquele painel eletrônico foi acabar nas mãos daquela tetuda da Playboy. Tristíssimo.
E isso para tirar um passaporte. E num hospital da rede pública, com todo o alvoroço, toda a tensão, pessoas morrendo em macas?... Uma revolução pode eclodir a qualquer momento neste local. Uma revolução pode eclodir na fila pro passaporte, na fila do INSS, uma revolução pode eclodir a qualquer momento – mas será numa fila. Guardem minhas palavras.
A classe-média é forte, mas continua rato acuado da burocracia.
Por MYXOMATOSIS 10:14 PM |


Domingo, Março 18, 2007

Estava passando um filme sobre Guimarães Rosa/Manuel Bandeira/Oswald de Andrade há muito tempo no Canal Brasil. O filme, como há de se notar pela temática, era dividido em três partes. A que se direcionava ao paulista Moderno simulava uma sala de aula das antigas, com um professor linha-dura que impunha silêncio e respeito aos seus alunos. Ele tinha aquele jeito detestável de se declamar poemas, aos berros, dando tom marcial até para uma cirandacirandinha. E foi no silêncio pavoroso da sala que ele bradou o Relicário:

No baile da corte
Foi o conde d'Eu quem disse
Pra Dona Benvinda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê bebê pitá e caí


ao que todos os alunos riram uma forçosa risada.
Meus queridos, vou explicar uma coisa: poema-piada é um nome, e apenas um nome. O poema não é piada. Não é engraçado. Não é como aquela historinha do papagaio; não é nem sequer que nem aquelas piadinhas internas que só a elite intelectual sudestina entende. Ele não tem graça. Nenhuma. E quem ri de um poema-piada deve ter um tumor no cérebro ou uma trolha no rabo.
Por MYXOMATOSIS 2:12 AM |


Segunda-feira, Março 12, 2007

Comprei no mercado uma cachaça da boa para agora, na imparcialidade de meu quarto, brindar meu amor por aquela que já se cansou de mim e pode viver feliz nos braços de um outro qualquer.

Ipi ipi - urra!
Ipi ipi - urra!
Ipi ipi...!
Por MYXOMATOSIS 5:00 PM |


Sábado, Março 10, 2007

No ônibus

Volta e meia eu pego ônibus para a escola com uma colega de outra sala. Ela é meio fresca, não me dá muita atenção, mas foda-se: eu queria transar com ela. Ali, no ônibus. Nunca a chamei para sair - não por timidez, pudor ou amor-próprio; mas sim porque só quero trepar com ela ali. No ônibus. Qualquer contato fora da escola estragaria tal pureza, qualquer relação afetiva corromperia a alvidez da foda que pretendo perpetrar com minha coleguinha escolar um dia: no ônibus.
Por MYXOMATOSIS 2:59 PM |


Quinta-feira, Março 08, 2007

O Mundo me pega, me atira no chão, pisoteia e faz o que quer de mim.
Quero dizer: isso pode significar que o Mundo tem grandes planos para meu futuro.
Não é?
Por MYXOMATOSIS 1:44 PM |


Segunda-feira, Março 05, 2007

O Amor é uma improbabilidade. O Amor é a garota mais bonita da cidade. Espero que ela venha se deitar comigo, com a sapiência de que é dificílimo ser escolhido entre os bilhões. Não vou odiá-lo, desrespeitá-lo, rebaixá-lo por não engatinhar ao meu leito. Ele é porra-louca, coisa em si, força da natureza. Segue apenas suas próprias vontades e desejos - não por maldade, mas porque assim é desde o começo dos tempos.
A Morte é uma certeza. A Morte é a garota que não é bonita e nem feia, de um insosso quase violento e repulsivo. Ela se deitará com todos nós independente de nossa vontade.

Por isso espero pela Morte, única certeza; e pelo amor com um pé atrás porque tudo pode ir por água abaixo assim que a vida se exilar.

E eu acordo pensando na Morte;
tomo banho pensando na Morte;
pego ônibus pensando na Morte;
estudo pensando na Morte;
como pensando na Morte;
fodo pensando na Morte;
durmo pensando na Morte.

E o Amor brinca, lá fora, entre os roseirais.
Por MYXOMATOSIS 7:31 PM |


Quinta-feira, Março 01, 2007

Pela arte;

Peguei a mãe do Raphael. Ih!, ferrou. Por quê? Tantos anos de piadinhas infames e infelizes e infantis; tantos anos de comentários jocosos ao fim da tarde, brincadeiras de criança mongolóide, verborragia antiletárgica. Foram-se. That joke isn't funny anymore, diz-se.
Mas foi por quê? Estava ali, deu-se. Não era bonita, não era necessário, não era nem sequer recomendável. Um genesequá de repulsa me atraiu. A busca pela experiência, pela plenitude da vivência terrena. Foi isso? Não, nem ainda isso. O experimento não se fazia indispensável.
Foram as piadinhas. Foi o próprio Raphael. Anos de comentários jocosos ao fim da tarde culminando na piada suprema da vida - quando a oportunidade surgiu, estava familiarizado com a idéia. Não foi por amor, não foi por violência e não foi nem sequer por esporte: foi pela literatura. Foi pela arte. Pela cortina cínica de ironias que se tece nesta vida e da qual também quero ser tecelão.
Peguei a mãe do Raphael - e é aqui que saímos da história para entrar na literatura.
Por MYXOMATOSIS 2:27 AM |


Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

Oswaldiano

Amor

Humor

Por MYXOMATOSIS 1:20 PM |


Links!

A ninguém, com carinho.

Coreano Bronzeado

E que queda.

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